Olá queridos amigos,
Sempre procuro fazer o máximo para cumprir minhas promessas, então, mesmo que tardiamente, venho trazer, com muito prazer, as últimas sobras de 2010. Digo, “com muito prazer”, pois venho falar da Prof. Drª Jane Clark e do Prof. Dr. Márcio Alves de Oliveira, ambos da University of Maryland – USA, sendo que o Prof. Márcio é “nosso”, daqui, “cria” do Prof. Ricardo Petersen da UFRGS (Porto Alegre). Seus temas de pesquisa não são exatamente o que nós estudamos no Lacom, ou seja, Fatores que afetam a Aprendizagem de Habilidades Motoras, porém os admiro e os acompanho desde o CBCM de Rio Claro onde os mesmos publicaram um artigo na 1ª edição da revista da Sociedade Brasileira de Comportamento Motor (nesta época, ainda éramos “gurizada” de graduação). Há um tempo atrás, dizia aos colegas que, em qualquer evento que o querido Prof. Go Tani estivesse, eu iria para ouvi-lo. Hoje digo que, no evento onde estiver Prof. Go Tani, ou Profª. Jane Clark ou Prof. Márcio Oliveira, a Angélica estará também. Tive o prazer de participar de um evento onde os três estiveram... Imaginam o brilho dos meus olhos...
No II Congresso Internacional de Motricidade da Serra Gaúcha (já citado nos outros posts de “Sobras”) Jane Clark falou sobre “Motor Development: the intersection of perception, action, and cognition across the lifespan” (Desenvolvimento Motor: a intercessão da percepção, ação e cognição ao longo da vida). Iniciou a sua fala, afirmando que a intercessão adequada da Percepção, ação e cognição leva a proficiência da habilidade motora. Esta intercessão é influenciada por diversos fatores relacionados ao Desenvolvimento Motor ao longo da vida, ou seja, estas mudanças ao longo da vida. Para o entendimento destas questões, temos que entender, o quê muda (estruturas primitivas, desenvolvimento do corpo) e o processo destas mudanças (utilização de informação, percepção, antecipação, correção de erros, plano de ação, controle de tudo isso). Ainda, temos duas perspectivas que não são excludentes entre si: Perspectiva dos sistemas Dinâmicos e Perspectivas da Teoria Motora. Jane colocou ainda que questiona o modelo da ampulheta de Gallahue e propõe um modelo da pirâmide, onde se parte de uma base de movimentos e habilidades em direção as especificidades.
Márcio Oliveira, falou sobre “The role of constraints on perceptual-cognitive development” (O papel das restrições no desenvolvimento percepto-cognitivo). Iniciou sua fala com as restrições do organismo, do ambiente (físicas – temperatura..., social), da tarefa, para então adentrar nas restrições do “Cognitive System” (percepção, ação). Utilizou boa parte do tempo falando sobre as pesquisas que realiza com crianças com problemas neste “Cognitive System” (déficit de atenção, aprendizado). Mesmo que de maneira ainda precoce, os estudos tem mostrado a importância do nosso trabalho, quando executado de maneira adequada para cada caso, no tratamento destes problemas. Márcio citou estudos, onde regiões do cérebro, que não eram ativadas, passaram a estar ativas após uma intervenção com atividades motoras.
Tenho uma relação quase que política com este tema... Ano passado adquiri todas as edições especiais da revista “Mente e Cérebro”, onde cada edição abordava, de maneira séria e científica as “Doenças do Cérebro”. Acredito muito na contribuição do nosso trabalho para a melhoria da qualidade de vida destas populações. Porém, tenho andando por alguns Centros de Reabilitação tanto públicos quanto privados, onde essas populações são atendidas e não encontrei profissionais de Educação Física, mas apenas fisioterapeutas ou terapeutas ocupacionais realizando este trabalho. Meu sobrinho Murillo foi buscar ajuda de uma Psicopedagoga para melhorar sua coordenação motora (podem rir, santo de casa não faz milagre). Quero deixar bem claro que não tenho nada contra Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais realizarem este trabalho, porém este espaço é nosso e, só ocupado porque, em algum momento, não o ocupamos de maneira adequada. Acredito que isto tenha ocorrido na época em que a Educação Física não era considerada uma área Acadêmica. Bom, paciência, mas agora temos que correr atrás.
Momentaneamente, minha opinião é essa. Respeito àqueles que divergem.
Forte abraço a todos
Angélica
OBS: E nada de notícias do nosso amigo Alan Fermim que faz doutorado no Japão;
domingo, 29 de maio de 2011
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