quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ausência... Em falta!

Olá meus queridos amigos!
Estou em falta com o Blog do Lacom... mas não é por falta de vontade, muito pelo contrário.
Estou absorta em leituras, relacionadas à traço de personalidade e comportamento motor, minha área de estudo... Em breve quero compartilhar tudo com vocês, para saber as suas opiniões... E também, é claro, em função do meu trabalho... tenho trabalhado tanto... Mas em breve isso vai mudar...
E o Blog do Lacom está sempre a disposição de quem quiser discutir.
Quero ainda, convocar o Prof. da USP, Dr. Luciano Basso, para discutirmos sobre aquele estudo, das brincadeiras... isso está diretamente relacionado com os problemas de desenvolvimento motor nas diferentes regiões do Brasil...

Beijo enorme, do tamanho do Rio Grande
Muitas saudades
Angélica

terça-feira, 5 de julho de 2011

A vida por trás da ciência! A Rainha dos Fatos Inusitados!

Agora já não pairam mais dúvidas, ela é sim, a Rainha dos fatos inusitados. Com ninguém acontecem fatos tão inusitados e com tanta freqüência, quanto acontecem com ela. Os amigos brincam: “Vamos escrever um livro com fatos que só acontecem com a Fulana” Quando pensa que nada mais de esdrúxulo pode acontecer em sua vida, eis que surge um fato mais esdrúxulo ainda. Daqueles que, “apenas contando, ninguém acredita”. Logo para ela que, um dia sonhou em ter uma vida normal. Fala-se em “sonhou”, pois já perdeu as esperanças de ter esta vida normal, há muito tempo... com ela, nada de normal acontece. Mesmo esforçando-se para levar uma vida normal, dentro dos padrões, tranqüila e serenamente, ela não consegue fugir destes tais fatos... Quando não há motivos aparentes para tal, o destino encarrega-se de engendrar um. Aí, meus queridos, uma fala ou escrita sua, por mais que seja extremamente objetiva, clara e cristalina, por mais que não tenha nenhuma margem para a hermenêutica subjetiva, eis que surge alguém que “consegue” fazer uma interpretação subjetiva. Pronto, surgiu um dos fatos mais inusitados da sua vida. Ela não consegue acreditar no que ouve. Ao mesmo tempo em que sente vontade de rir muito, pois sabe que isso só acontece com ela, também sente vontade de chorar e se pergunta: “Por que estas coisas acontecem comigo? Até quando vão continuar acontecendo? Mas que Bah Tchê, é cada uma que me acontece...” Seu querido namorado lhe apresenta uma resposta em forma de crítica: “és muito queridinha com as pessoas, muito “dada”, tens sempre muitos amigos... é isso que dá. Nem todos são acostumados com este tipo de tratamento”. Ela, contemplando a imensidão das águas de um belo lago Gaúcho, fica confusa, não sabe se seu namorado está certo ou errado, ou se, a ocorrência destes fatos apenas faz parte de sua sina... O fato é que, nestes momentos, obscuros, mas também engraçados, ela sempre encontra a luminosidade que precisa, nos belos artigos de Wulf. Se atira de cabeça neles. Olhando sob este ângulo, abençoados são estes tais Fatos Inusitados. Enquanto existir Wulf, que eles continuem acontecendo. E a vida normal??? Que fique com os normais, pois como diz a música de Charlie Brow Jr.: “só os loucos sabem”. Seu coração diz que, como todos os outros fatos que lhe aconteceram, este também será motivo de muitas risadas em alguma mesa de bar deste mundo velho.


E, ao que tudo indica meus amigos, em breve teremos discussão de artigo de Gabriele Wulf.

Forte abraço a todos
Fiquem bem
Angélica

terça-feira, 14 de junho de 2011

Aí está... baita artigo!

Fala galera medonha,


A pedido do nosso Ilustre amigo e prof. da USP, Dr. Luciano venho “pensar” e compartilhar com vocês minhas reflexões. Para tal, trago aqui, o artigo mais completo e complexo que já li. De autores alemães, com inglês extremamente rebuscado... mas vale a pena ler, são 4 completos experimentos. Isso me fez respeitar e admirar ainda mais a ciência Alemã, pois tranquilamente este artigo tem conteúdo e experimento para 4 bons artigos. Me senti, literalmente, nas reuniões do Lacom, regadas a chimarrão e muitas balas...

Para quem não conseguir o artigo completo, por favor, me solicite que envio. O li há um ano atrás, mas faltou tempo para comentá-lo aqui.

“Corrective Processes in Grasping After Perturbations of Object Size” de Constanze Hesse & Volker H. Franz, publicado no periódico “Journal of Motor Behavior”, 2009, vol. 41, nº 3, 253-273

Este artigo versa sobre a correção do movimento de agarrar após uma perturbação, ou seja, a adaptação a uma nova situação. Na parte introdutória do artigo, os autores falam sobre a importância da visão para a correção do movimento. Há evidências de que a visão é importante para o movimento em tela, ou seja, o movimento de agarrar, no entanto os estudos tem mostrado que a visão ou não da mão não modifica a forma dos dedos ou posição na hora de agarrar o objeto. Ainda, a visão é mais importante nos estágios finais, onde realmente ocorrem as correções. A primeira parte do movimento é mais balística. Uma questão levantada com relação a este aspecto: Como o movimento é controlado quando a mão não pode ser vista??? Uma possibilidade: movimento pré-programado, mas nestes casos – movimento pré-programado – correções não podem ser feitas.

Quanto a ajustes nos movimentos, os estudos tem mostrado que os mesmos tem se ajustado em resposta a variações bruscas. Uma trajetória pode ser alterada em qualquer tempo, e o tempo necessário para tal é o Tempo de Reação. Os sujeitos realizam o processo corretivo, mas não sabendo que houve a perturbação. Neste caso, o Feedback proprioceptivo pode desempenhar um importante papel na correção dos movimentos. Para o movimento de agarrar, o tempo para corrigir a forma é maior do que o tempo para corrigir a posição.

Há 3 maneiras que as correções podem ser realizadas:

a) O programa motor pode ser cancelado e substituído por um novo;

b) Um segundo programa motor pode ser sobreposto ao 1º;

c) O programa motor original poder ser melhorado ou corrigido;

Após estas considerações iniciais sobre o artigo, podemos expor as grandes questões de interesse na realização deste estudo:

• Quanta correção pode ser desempenhada e como a visão contribui para o ajustamento;

• Papel da visão na programação e execução do movimento e na correção;

• Como a visão contribui para o sucesso na correção, adaptação? (Controle do movimento através da visão, capítulo 4 do livro do Schmidt)

• O processo corretivo é diferente quando requer um ajustamento mais extenso???

• Há diferenças em tentativas nas quais há perturbação e nas quais não há perturbação?

Para responder a estas questões, o estudo foi dividido em 4 experimentos. Vamos a eles:

EXPERIMENTO 1

Objetivo: investigar os efeitos da variação do tamanho do objeto a ser agarrado. (1cm, variação considerada pequena), em dois diferentes momentos de tempo (antes x depois). Os sujeitos enxergavam sua mão durante a execução. Duração da sessão: 90 min.

Procedimentos: Distância entre posição inicial e polegar: 30 cm.

Perturbação: dois tipos: a) Apenas tamanho do objeto; b) Tamanho do objeto no tempo (Early x Late)

Tentativas: 144 tentativas não-perturbadas e 48 tentativas perturbadas. As perturbações foram aleatórias.

Variáveis Independentes: 1) Tempo de movimento; 2) Tempo de Reação; 3) O agarrar – MGA: máxima distância entre o dedo indicador e o dedo médio; 4) Média de abertura: MGA – polegar e indicador; 5) Pico de Velocidade (PV); 6) Amplitude da Velocidade do Pico (APV);

Resultados: MGA: fortemente correlacionado com o tamanho do objeto. Os objetos maiores foram agarrados com MGA maiores.

CONDIÇÕES DE PERTURBAÇÃO: a) Early Perturbation: melhor adaptação; b) Late Perturbation: não se adaptou tão bem quanto Early Perturbation; c) No Perturbation

Em condições de “Early Perturbation” não houve diferença significativa entre “Perturbation” e “No Perturbation”. Em condições de “Late Perturbation” houve diferença significativa.

Perturbações mais no início do movimento, neste caso, “Early Perturbation” são melhores para o sucesso do movimento, porém, o tempo de correção do movimento é bem menor quando a perturbação é inserida mais no final do movimento. Neste caso, o tempo de correção para “late perturbation” foi bem menor do que para “early perturbation”. Esse descobrimento sugere que correções podem ser incorporadas mais rapidamente na fase final do movimento.

Para as tentativas onde houve a perturbação, o tempo de execução foi, em média, 200 ms mais lento.

DOUBLE PEAK: A existência de dois picos é indício de uma re-elaboração do Programa Motor. Não houve efeito significativo. Alguns sujeitos apresentaram picos duplos em ambos os tipos de perturbação e alguns nunca apresentaram picos duplos.

LEARNING: Para avaliar a aprendizagem do movimento, foram comparadas as 30 primeiras tentativas e as 30 últimas. Não houve diferença significativa...

Discussão: No experimento 1 foi estudada a adaptabilidade do movimento de “agarrar”. A formação do “agarrar” foi fortemente influenciada/afetada pela perturbação, mas o transporte do componente não foi afetado. Em menores correções, elas se dão de maneira diferente quando comparadas à outros tipos de correções. Houve a ocorrência de duplo pico independente da ocorrência da perturbação. Tempo de correção, quando a perturbação ocorre na parte final do movimento.

EXPERIMENTO 2

Objetivo: Idem objetivo do experimento 1, porém aqui, os sujeitos não podiam visualizar o movimento da sua mão.

Método: Participaram deste experimento 20 sujeitos. As condições de e perturbações foram as mesmas do experimento 1.

Resultados: MGA: fortemente correlacionado com o tamanho do objeto. Os objetos maiores foram agarrados com MGA maiores. O MGA foi bem adaptado após uma perturbação precoce.

CONDIÇÕES DE PERTURBAÇÃO: Quanto ao tipo de perturbação os efeitos foram significativos. Em “Late Perturbation” o sujeito mantém a forma do agarrar do 1º objeto, após a perturbação, ou seja, ele não modifica a forma do agarrar. Em “Early Perturbation” o tempo para correção foi maior que em “Late Perturbation”.

No experimento 1 a correção ocorreu de maneira mais rápida do que no experimento 2. Não podemos esquecer que no experimento 2 os sujeitos não enxergavam a execução do movimento.

DOUBLE-PEAK PATTERN: Não houve efeito significativo.

TRANSPORT COMPONENT: A visão não influenciou no transporte do componente pois não houve diferença significativa entre o experimento 1 e o experimento 2.

LEARNING: Comparação entre “30 primeiras” tentativas e “30 últimas tentativas” sem perturbação. O número de duplos picos aumentou e o tempo de movimento diminui. O primeiro explica-se pelo aumento da complexidade da tarefa, já o segundo pela familiarização com a mesma. Eu, particularmente, diria que o tempo diminuiu em função do processo de aprendizagem.

Discussão: A questão em tela neste experimento foi, qual a extensão do processo de correção, ajustando/adaptando o agarrar, depois de uma perturbação, sem a visão da mão e do movimento por parte dos sujeitos.

Segundo pesquisadores, as correções às perturbações ocorrem de maneiras parecidas com ou sem a visão das mãos neste tipo de movimento. Este descobrimento sugere que as correções são executadas em um “open-loop”, usando continuamente o mecanismo de “feedforward” do controle motor. Antes que vocês se perguntem, assim como eu me perguntei, se esse mecanismo é semelhante ao mecanismo de Feedback, eis a resposta: O mecanismo Feedforward permite uma comparação entre o que está acontecendo e os estados futuros planejados. Os erros são corrigidos mais rapidamente do que com o mecanismo de Feedback que precisa comparar a informação visual com o desejado.

Como em outros estudos, neste foi encontrado um MGA maior, sem a visão da mão quando comparado com o movimento executado com a visão da mão.

Como o ajuste no movimento, sem a visão e com a visão foram muito parecidos, esse descobrimento sugere que o ajuste no movimento de agarrar não depende da informação visual do movimento da mão. Os movimentos são planejados com uma maior margem de segurança. Os resultados indicam que pequenos ajustes são planejados/realizados da mesma forma que o ajuste inicial, ou seja, através do mecanismo de “feedforward”.

Questão que permanece não clara: As correções às pequenas perturbações ocorrem de maneira diferente que as correções às grandes perturbações???

Grandes perturbações – Re-planejamento?????

Pequenas perturbações – adaptações durante o curso do movimento???

EXPERIMENTO 3

Objetivo: verificar se o processo de correção do agarrar é diferente quando maiores correções são requeridas, ou seja, o objetivo foi buscar uma resposta para a questão acima. As perturbações foram relacionadas a mudanças no tamanho do objeto. Onde houve menores/pequenas e maiores/grandes mudanças.

Metodologia: Sujeitos: 20 estudantes universitários

Procedimentos: 192 tentativas: 75% das tentativas houve perturbação, 25% não houve perturbação.

A perturbação ocorreu SEMPRE no início do movimento, da tentativa (early perturbation). Os participantes podiam ver o movimento da mão durante a execução do movimento.

Resultados: MGA: Houve problema na verificação do MGA, causado pela variação no tamanho do objeto. O objeto foi alcançado antes de o MGA ser determinado. Este descobrimento sugere que o agarrar pode não ser perfeitamente adaptado para o novo tamanho do objeto. O movimento para um objeto maior é iniciado com uma maior aceleração, necessitando mais tempo para desacelerar e corrigir o movimento.

Correções foram realizadas em todas as vezes em que houve perturbação. Em todas as tentativas perturbadas o MGA foi significativamente diferente das tentativas não perturbadas.

MÉDIA DE TEMPO DE CORREÇÃO: Foi encontrado um principal efeito no tamanho da perturbação: maiores perturbações foram corrigidas mais rapidamente.

LEARNING: O tempo de movimento diminuiu com a prática.

Discussão: O objetivo deste experimento foi testar se o processo de correção é diferente quando é requerido um ajustamento maior. As variações foram introduzidas no início do movimento. Os resultados mostraram que o MGA não pode ser perfeitamente adaptado à um novo objeto quando as perturbações são maiores. A consumação de maiores correções requerem mais tempo. Largas perturbações levar para uma mudança no tipo de “agarrar” mais do que um ajustamento do agarrar planejado.

Neste estudo, quando o objeto tornou-se bem maior as correções iniciaram-se antes, confirmando a hipótese de que, quando as correções são extremamente necessárias, o ajustamento se dá mais rapidamente.

EXPERIMENTO 4

Objetivo: Verificar a ocorrência de duplos picos em tentativas do “agarrar” onde não houve perturbação.

Sujeitos: 10 sujeitos

Procedimentos: Duração do experimento: 60 min. Os sujeitos puderam visualizar o movimento de sua mão. 6 tamanhos de objeto foram apresentados de maneira randômica, porém, sem perturbações.

Resultados: MGA: Maior tamanho de objeto foi agarrado com um maior MGA.

DOUBLE-PEAK PATTERN: Houve uma media no percentual de duplos picos ao longo dos tamanhos e tentativas. Houve uma leve tendência de mais duplos picos nas tentativas com o tamanho do objeto maior e tamanho do objeto menor. Duplos picos mais freqüentes quando a tarefa exige maior demanda.

Discussão: O experimento 4 foi conduzido para corroborar a suposição de que duplos picos representam processos corretivos que também aparecem quando não há perturbação. Duplos picos apareceram também em tentativas onde não houve perturbação. ESSE DESCOBRIMENTO PROVÊ MAIORES EVIDÊNCIAS DE QUE O MOVIMENTO É REGULADO CONTINUAMENTE E NÃO PLANEJADO PREVIAMENTE (TEORIA DO PROGRAMA MOTOR). Gente, vocês tem noção do que isso significa? O que vocês acham disto?????

DISCUSSÃO GERAL

Neste estudo foi estudada a adaptabilidade do agarrar em variações do tamanho do objeto. Os autores tiveram um interesse especial na característica do processo corretivo executado pelo sistema motor depois de uma perturbação. No campo do controle motor tem sido persistente o debate se o movimento é: a) continuamente regulado com base em informação aferente, e se sim, qual a natureza desta informação aferente; b) completamente planejado previamente; ou c) Uma combinação de pré-planejado e processo de controle corrente.

Os autores direcionaram o desfecho introduzindo perturbações de tamanho de objeto em dois diferentes momentos (early e late) e variando quanto a visão ou não do movimento, por parte dos sujeitos. Perturbações “early” foram perfeitamente adaptadas. Perturbações “late” não foram perfeitamente adaptadas.

MINHA PERGUNTA: Se a perturbação “late” não foi perfeitamente adaptada, será que é tão evidente assim a CORREÇÃO durante o processo?

“De qualquer maneira, o presente estudo atenua a credibilidade de um PURO pré-planejamento do movimento como proposto por Plamondon (1995 “a” e “b”). Na verdade, modificações corretivas executadas, sugerem que o movimento é permanentemente monitorado e pode ser ajustado, se necessário.”

Avançado modelo de controle motor: “entrada sensória – saída motora”. Se qualquer discrepância é detectada, um comando corretivo é gerado para ajustar o movimento. Isso indica que estes movimentos SÃO PROGRAMADOS com maior margem de segurança, considerando um aumento de incerteza.

“Paradigma da perturbação no tamanho”

Perturbação no início do movimento com longos tempos de correção. Perturbação no final do movimento com tempos mais curtos de correção.

Mecanismo Feedforward: retro-alimentação avançada

Os resultados suportam a idéia que, em resposta para uma perturbação no tamanho do objeto, o Programa Motor é modificado centralmente em uma maneira “open-loop”. Assim, a informação visual não é tão necessária para o sucesso do movimento.

Utilizando o Feedforward os movimentos podem ser corrigidos mais rapidamente do que utilizando o Feedback basic.

2ª fase do movimento: tempo de correção mais curto...

Era isso... boas reflexões.
Grande beijo a todos

Angélica

domingo, 29 de maio de 2011

Sobras de 2010 - 3

Olá queridos amigos,
Sempre procuro fazer o máximo para cumprir minhas promessas, então, mesmo que tardiamente, venho trazer, com muito prazer, as últimas sobras de 2010. Digo, “com muito prazer”, pois venho falar da Prof. Drª Jane Clark e do Prof. Dr. Márcio Alves de Oliveira, ambos da University of Maryland – USA, sendo que o Prof. Márcio é “nosso”, daqui, “cria” do Prof. Ricardo Petersen da UFRGS (Porto Alegre). Seus temas de pesquisa não são exatamente o que nós estudamos no Lacom, ou seja, Fatores que afetam a Aprendizagem de Habilidades Motoras, porém os admiro e os acompanho desde o CBCM de Rio Claro onde os mesmos publicaram um artigo na 1ª edição da revista da Sociedade Brasileira de Comportamento Motor (nesta época, ainda éramos “gurizada” de graduação). Há um tempo atrás, dizia aos colegas que, em qualquer evento que o querido Prof. Go Tani estivesse, eu iria para ouvi-lo. Hoje digo que, no evento onde estiver Prof. Go Tani, ou Profª. Jane Clark ou Prof. Márcio Oliveira, a Angélica estará também. Tive o prazer de participar de um evento onde os três estiveram... Imaginam o brilho dos meus olhos...

No II Congresso Internacional de Motricidade da Serra Gaúcha (já citado nos outros posts de “Sobras”) Jane Clark falou sobre “Motor Development: the intersection of perception, action, and cognition across the lifespan” (Desenvolvimento Motor: a intercessão da percepção, ação e cognição ao longo da vida). Iniciou a sua fala, afirmando que a intercessão adequada da Percepção, ação e cognição leva a proficiência da habilidade motora. Esta intercessão é influenciada por diversos fatores relacionados ao Desenvolvimento Motor ao longo da vida, ou seja, estas mudanças ao longo da vida. Para o entendimento destas questões, temos que entender, o quê muda (estruturas primitivas, desenvolvimento do corpo) e o processo destas mudanças (utilização de informação, percepção, antecipação, correção de erros, plano de ação, controle de tudo isso). Ainda, temos duas perspectivas que não são excludentes entre si: Perspectiva dos sistemas Dinâmicos e Perspectivas da Teoria Motora. Jane colocou ainda que questiona o modelo da ampulheta de Gallahue e propõe um modelo da pirâmide, onde se parte de uma base de movimentos e habilidades em direção as especificidades.

Márcio Oliveira, falou sobre “The role of constraints on perceptual-cognitive development” (O papel das restrições no desenvolvimento percepto-cognitivo). Iniciou sua fala com as restrições do organismo, do ambiente (físicas – temperatura..., social), da tarefa, para então adentrar nas restrições do “Cognitive System” (percepção, ação). Utilizou boa parte do tempo falando sobre as pesquisas que realiza com crianças com problemas neste “Cognitive System” (déficit de atenção, aprendizado). Mesmo que de maneira ainda precoce, os estudos tem mostrado a importância do nosso trabalho, quando executado de maneira adequada para cada caso, no tratamento destes problemas. Márcio citou estudos, onde regiões do cérebro, que não eram ativadas, passaram a estar ativas após uma intervenção com atividades motoras.

Tenho uma relação quase que política com este tema... Ano passado adquiri todas as edições especiais da revista “Mente e Cérebro”, onde cada edição abordava, de maneira séria e científica as “Doenças do Cérebro”. Acredito muito na contribuição do nosso trabalho para a melhoria da qualidade de vida destas populações. Porém, tenho andando por alguns Centros de Reabilitação tanto públicos quanto privados, onde essas populações são atendidas e não encontrei profissionais de Educação Física, mas apenas fisioterapeutas ou terapeutas ocupacionais realizando este trabalho. Meu sobrinho Murillo foi buscar ajuda de uma Psicopedagoga para melhorar sua coordenação motora (podem rir, santo de casa não faz milagre). Quero deixar bem claro que não tenho nada contra Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais realizarem este trabalho, porém este espaço é nosso e, só ocupado porque, em algum momento, não o ocupamos de maneira adequada. Acredito que isto tenha ocorrido na época em que a Educação Física não era considerada uma área Acadêmica. Bom, paciência, mas agora temos que correr atrás.

Momentaneamente, minha opinião é essa. Respeito àqueles que divergem.

Forte abraço a todos

Angélica

OBS: E nada de notícias do nosso amigo Alan Fermim que faz doutorado no Japão;

terça-feira, 26 de abril de 2011

III Congresso Internacional de Motricidade Humana

Galera, se organizam! Há tempo para tal!
Não podemos perder a oportunidade de ver no Brasil, Gallahue (Universidade de Indiana - EUA) e Alberto Minetti (Universidade de Milão - Itália). Fui no último e não me arrependi.

Frutos da Páscoa!

Para muitos, esta Páscoa significou um ótimo e prolongado período de folga, para alguns, significou a ingestão em excesso de chocolate, “comilança” e compartilhamento de muuuuuitas “geladas” com amigos (me incluo nessa). Para mim essa Páscoa teve um significado especial (independente de orientação religiosa, pois não sigo nenhuma)...
Em um certo momento, muito difícil da minha vida, o mais difícil de todos, ouvi a querida professora da ESEF/UFPEL Eliane Ribeiro Pardo (que saudades das suas sábias falas), falar que a Páscoa tinha um significado muito especial. Era um momento de reflexão sobre as nossas vidas, sobre o que estamos fazendo de certo e errado e onde almejamos chegar. Por vezes, precisamos de uma virada de mesa, e a Páscoa representa esta oportunidade. Oportunidade de ressurgirmos/renascermos juntos com Jesus Cristo. Não sou uma profunda conhecedora destas questões de eventos religiosos, pois minha família nunca cultivou o hábito de ir à igreja... Mas resolvi acreditar e seguir o conselho desta querida professora. Deu certo, com 22 anos estava tendo a oportunidade de fazer parte da 1ª turma de mestrado da ESEF/UFPEL, ser a 1ª mestrando do Lacom e, sobretudo ser orientada pela melhor de todas: Ilma. Sra. Dra. Suzete Chiviacowsky.
Nesta Páscoa do feriado prolongado, também estava passando por um momento bastante complexo, mas não tão complexo como outrora, mas havia uma necessidade de repensar, corrigir erros, renascer... nada de mudanças profundas, apenas fazer renascer uma Angélica que a complexa Santa Rosa fez adormecer... Cá estou...
Espero que esta Páscoa tenha feito tão bem a vocês quanto fez a mim!
Um forte e carinhoso abraço a todos
Angélica

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Alan Fermin!!!

Fala galera!

Infelizmente não venho hoje (ainda) para propor novos debates ou temas para "papearmos" como sugeriu o nosso amigo e Prof. da USP Luciano Basso. Mas prometo que em poucas horas, estaremos colocando alguns temas na nossa "roda de chimarrão" para "prosearmos". Hoje, venho para indagar sobre o nosso amigo Alan Fermin que faz doutorado no Japão? Por onde andas? Estás bem, tendo em vista o que se sucedeu no Japão?
Forte abraço a todos
Bons estudos
E, PREPAREM-SE, em breve, discussões!
Se alguém quiser sugerir temas, fiquem a vontade!
Angélica

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sobras de 2010 - 2

Olá queridos amigos,
Embora já tenhamos adentrado em 2011, não poderia deixar de postar algumas informações ainda de 2010.
Em outubro último, a Faculdade da Serra Gaúcha realizou o  III Congresso Internacional de Motricidade Humana da Serra Gaúcha, na cidade de Caxias do Sul. Os congressistas tiveram o grande prazer em ouvir os Ilustres Prof. Go Tani, Prof. Márcio Oliveira e Profª Jane Clark.
O Prof. Go Tani foi o primeiro palestrante do Congresso, onde era muito esperado, inclusive por mim. O título da sua palestra foi : "Seriam os fatores relacionados à desordem fontes de ordem em aprendizagem motora?" Este tema sempre me encantou, desde 2005, quando adquiri e devorei um livro organizado por este ilustre palestrante, onde vários capítulos versavam sobre este tema. Mas nada se compara ouvi-lo pessoalmente. No final, a resposta para a pergunta do título: "SIM". Não poderia deixar de expressar duas inquietações minhas através de um questionamento ao Prof. Go Tani: "As pesquisas sob este novo paradigma utilizam metodologias muito parecidas das pesquisas realizadas sob o paradigma antigo. Por exemplo, a fase de aquisição e transferência das pesquisas sob o paradigma antigo e muito similar, em termos de metodologia, das fases de estabilização e adaptação. Outra questão é:  Científicamente falando, todos estamos convencidos de que a aprendizagem vai muito além da estabilização. Até quando, nas escolas vai ser trabalhado sob o paradigma antigo? 10, 15 anos?"
Pela minha lembrança, a resposta para a primeira questão foi que, por mais possam parecer semelhantes, as metodologias tem outro pano de fundo, estão guiadas por duas teorias diferentes, então são diferentes. Para a segundo questão: Embora haja a comprovação científica, a ciência não é algo imediato, é necessário este conhecimento passar por um processo, que também pode ser acelerado se houver iniciativa de quem está lá trabalhando na ponta...
Bom por hoje, só quero dizer ainda, que, no final da palestra Jane Clark disse que minha questão "It´s a good question"
Beijos
Angélica

Confissão!

Amigos quero compartilhar com vocês, este tão significante poema do nosso conterrâneo gaúcho Mário Quintana.

"Que esta minha paz e este meu amado silêncio não iludam a ninguém.
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta,
nem, tampouco, a paz compulsória dos cemitérios.
Acho-me relativamente feliz, porque nada de exterior me acontece...
Mas, mas em mim, na minha alma, pressinto que vou ter um terremoto."

Beijos
Angélica

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Aniver Lú Toaldo

No último dia 16, uma pessoa muito especial para a família Lacom esteve de aniversário: a nossa querida "maninha" Lú Toaldo. Em nome da galera do Lacom, quero dizer que desejamos sempre a Lú, que continues assim, muito dedicada, esforçada, inteligente, legal, parceira, amiga, muito alegria, paz, sorriso no rosto, enfim, tudo de bom.


Neste mês, além do aniversário, a Lú passou pelo processo de qualificação, que, foi um sucesso e produtiva.

Grande beijo à Lú e a todos

Angélica

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Qualificação de Lú Toaldo

Hoje a tarde, a nossa irmazinha caçula da família Lacom está passando pelo processo de qualificação da sua dissertação de mestrado, sob a orientação da Ilma. Sra. Dra. Suzete. A banca será composta pelo Professor e diretor da ESEF/UFPEL José Francisco Gomes Shild e pelo Professor Mário Renato de Azevedo Jr (Mariozinho). Estou curiosa pelas sugestões da banca tendo em vista que o Mariozinho vem da Epidemiologia. Algo me diz que ele fará boas colocações... Sorte aí maninha...
Estamos no aguardo
Beijão
Angélica

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sobras de 2010...

Os dois últimos dias do V Congresso Brasileiro de Comportamento Motor ficaram pendentes aqui no blog e, há alguns pontos que queremos trazer aos amigos:


Na mesa-redonda versando sobre Desenvolvimento Motor tivemos a alegria de poder ouvir Nádia Valentini, onde falou sobre os processos de validação dos testes de Desenvolvimento Motor, validados por sua equipe. Digo que foi uma alegria, não só pela riqueza acadêmica, mas também pelo pessoa bacana que é Nádia e por ela ser nossa, daqui, gaúcha. Não podemos negar que havia um certo orgulho em cada “tu” pronunciado por ela.

No mesmo dia tivemos a ilustre conferência de Karl Newell.

Logo após tivermos a emocionante cerimônia de encerramento. Diga-se de passagem, nunca vi tanta emoção e lágrimas em uma cerimônia de encerramento de CBCM, mas valeu, pois isso mostrou a maneira carinhosa com que os organizadores prepararam tudo...

No dia seguinte, para fechar os debates tivemos Cíntia Hiraga, Márcio Oliveira e Cia. Ambos falaram sobre Crianças com desordem motora. Este tema está bastante recorrente nos programas de Saúde Pública, inclusive na rede dos Centros de Reabilitação Física do Governo Federal.

Cíntia mencionou que crianças com desordem motora trabalham com a informação de maneira diferente. Em um estudo, encontrou que com prática e Feedback, as crianças com desordem motora chegam a um desempenho próximo ao desempenho de crianças normais, porém sem feedback, as crianças com desordem motora chegam a um desempenho muito aquém do desempenho de crianças normais. Há uma suposição de que freqüência reduzida de Feedback beneficiaria a aprendizagem, entretanto não há estudos que comprovam esta suposição. Isto indica a necessidade de muitos estudos, pesquisas.

Márcio Oliveira, seguiu falando sobre estudos, na mesma linha, mas não menos interessante.

Essa mesa-redonda deixou a sensação de que este tema está iniciando uma caminhada longa.

Todos saíram com a sensação de que valeu a pena ter ficado sábado de manhã e acordado cedo para assistir à esta mesa.

E, para aqueles como eu, que ficaram até domingo, valeu a pena conhecer a maravilhosa e tranqüila cidade de Londrina. Nada melhor do que refletir sobre as discussões do congresso, a beira do Lago (não lembro mais o nome, mas posso dizer que é lindo), tomando um bom chimarrão.

Foi muito bom rever os amigos...

Até 2012, em São Paulo na Universidade Cruzeiro do Sul, onde seremos recebidos pelo Barela.



Abraço a todos

Angélica