segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Tese do Dr. Cássio - Metodologia

Galera, conforme haviamos combinado, eis o post para comentários concernentes a Metodologia da Tese do Prof. Dr. Cássio... Bom proveito!
Beijos
Angélica

5 comentários:

Lacom Esef Ufpel disse...

Galera, finalmente o comentário referente ao capítulo da Metodologia da Tese do Prof. Dr. Cássio. Confesso que guardava muita curiosidade com relação à esta parte metodológica, ainda mais após ler um projeto da minha querida “irmãzinha” Lú. Vem comigo então galera...
No primeiro parágrafo nos deparamos com o seguinte: “O delineamento configurou-se como quase experimental...” Até agora estou me perguntando o porquê desse “quase-experimental”? Achei legal essa questão de esclarecer esse cuidado com a validade interna e externa. Não é muito comum encontrarmos nos textos dos artigos esta descrição.
Lú, vamos nos ligar nesta referência: TANI, 1995.
Quanto à tarefa: show de bola! No primeiro parágrafo do item 6.1 o autor coloca o seguinte: “É desejável também que a tarefa guarde similaridade com situações reais”. Fiquei preocupada ao ler isso, mas depois relaxei... É obvio que desejável é, mas acho que em pesquisas de laboratório essa não pode ser a principal preocupação. São raras as tarefas que guardam similaridade com situações reais, nestes casos. Por favor, me corrijam se estiver errada.
Interessante o fato de o autor ter descrito o processo de construção do instrumento. Outro fato interessante foi essa detalhada descrição relativa aos receptores sensoriais. Primeira vez que me deparo com informações colocadas desta forma. Entretanto fiquei me perguntando e realmente fiquei em dúvida, se essas informações colocadas ali, daquela forma, são positivas ou não. Não tenho propriedade nenhuma para falar, nem intimidade com tese de Doutorado, mas será que cabe na metodologia isso??? Informações são sempre bem vindas, mas... Alguém fale a respeito, por favor.
Quanto aos sujeitos: O Dr. Cássio colocou apenas “adultos universitários”... ADOREI isso. Sempre que apresentava meu projeto da dissertação ou a dissertação me “enchiam o saco” dizendo que eu deveria especificar o curso, etc...
Ainda no item sujeitos me deparei com o seguinte: “Todos os indivíduos eram inexperientes em participação com estudos em Aprendizagem Motora” Pergunto: até que ponto a experiência com estudos em AM compromete o estudo? Fiquei pensando: “Putz, na Esef os sujeitos que participam de um estudo nosso, participam de outro (com tarefas diferentes , é lógico).
Com relação ao delineamento, algo me chamou a atenção: “Foi informado a quantia de tentativas que restavam na fase de adaptação” Galera, pergunto a vocês: é legal informar? O que vcs acham? Me pareceu legal... Podemos fazer isso nas nossas retenções e transferências.
Na organização e tratamento dos dados ficou bem claro, se ainda não estava, o que é Erro Variável, Constante e Absoluto.
O autor acha que agrupar as informações em blocos acarreta uma perda na singularidade... eu acho que não. Eu gosto de blocos...
Com relação ao tratamento dos dados: Lú, percebi que temos muito o quê estudar... Mas vamos lá...
Bom galera acho que, por enquanto é só...
Sigo nesta sauna que está a cidade de Santa Rosa
Beijos a todos
Angélica

Nuri disse...

Olá Meninas...
Fico feliz em ver questões tão pertinentes a um trabalho da nossa área. Se me permitem vou fazer algumas considerações para aumentar a nossa reflexão, ok. Li rapidamente o que escreveram, então qualquer desencontro, me desculpem... e façam sugestões para eu refletir mais...

O prof. Cássio é muito cuidadoso e esclarecedor tanto nas questões teoricas quanto metodologicas... Deixar claro pq o estudo é quase experimental nos remente a nossas limitações enquanto pesquisadores. Mesmo em estudos de laboratório a validade interna sempre é desafiada... e ai fica evidênte o pq quase experimental.

Quanto a questão da tarefa guardar similaridade com situações reais isso não quer dizer que é tentar e se deixar levar... mas que ao elaborar a tarefa experimental de laboratório, devemos SIMULAR... essa é a idéia... a tarefa do laboratório deve buscar conter a essência de certas tarefas do mundo real... pra isso é importante entendermos o que é uma SIMULAÇÃO...

Não entendi o que comentou sobre "detalhada descrição relativa aos receptores sensoriais"... se puder detalhar, discutimos na próxima...

Quanto a descrição dos sujeitos.. apesar dele apenas ter colocado sujeitos universitários, sou favorável a especificar o curso... Digo isso, pois será que o comportamento dos sujeitos do curso de educação física se assemelha ao do direito, letras, ou outro qualquer... A escolha do curso não pode levar a uma tendência para um determinado resultado... Nada contra este ou aquele curso... mas temos que ter idéia que o nosso estudo deve ser generalizado para um público específico, e se não sabemos se há efeito do curso no que estamos estudando.. é mais prudente descrever o curso para delimitar a generalização dos nossos resultados... como se diz, estudo delimitado mantém a generalização no seu devido lugar... :)

Quanto a ser inexperiente na tarefa... a grande questão é tentar ao máximo ter sujeitos com o mesmo nível de conhecimento na tarefa que será aprendida... assim, se o sujeito já praticou tarefas de timing coincidente, posicionamento linear, preensão manual e outras tarefas clássicas da nossa área ele não é o melhor sujeito para um proximo estudo nas mesmas tarefas, mesmo que o sequenciamento, timing, força sejam diferentes...

Blocos x tentativas...

Essa é uma boa discussão e não fácil de resolver... os blocos criam idéia geral, generalizações para cada sujeito, mas perde-se particularidades...elementos que ocorrem em uma ou outra tentativa, e que a média/mediana/desvio padrão podem não representar... E se justamente na tentativa diferente é que o sujeito observou algo que o fez ou trocar de estratégia ou afirmar a estratégia?? temos que lembrar que o sujeito dificilmente lida com médias...

Bom, jájá eu volto pra continuar...

Uma ótima semana a todos e todas.

Luciano

Lacom Esef Ufpel disse...

Luciano, que bom te-lo aqui nas nossas discussões, fique a vontade sempre... Gostei das tuas considerações, vou comentá-las amanhã devido ao avançado da hora (01:18 hs), e sei que ficarei refletindo algum tempo e isso é muito bom...
Até amanhã!
Angélica

Lu Toaldo disse...

Olá maninha e demais membros do Blog. Desculpem minha ausencia, estava atrapalhada com a elaorãção e studo do meu projeto de mestrado e agora com o meu TCC (pesquisa bibliografica com artigos sobre os fatores que afetam a aprendizagem motora- ta muito, MAIS MUITO BOm, FAZER ISSO). Vamos ao que interessa. Estes dois comentarios (Gé e Luciano) feitos acima dizem muitas coisas pertinentes e acrescentaram as minhas ideias. A parte metodologica da tese é muito bem explicada e requer muita atenção na leitura (pelo menos no meu caso), confesso que para escrever meu projeto me basiei muito. Quanto a questão da validade da tarefa e tal, li a pouco o livro do Bronfenbrenner e num dos capitulos ele dicute esta questao da validade ecologica das pesquisas. Como ja havia comentado com a Gé, por e-mail, o que vai conferir a validade é o objetivo que pesquisa tem. Precisamos, conforme a Dra. Suzete, realizar as pesquisas em laboratorios para depois realizarmos elas no mundo real, ao meu ver uma complementa a outra.(me corrijam se eu estiver viajando). Com relação ao sujeitos, gé desculpa, mas concordo com o Luciano. Acredito muito nas diferenças individuais e realmente as pessoas de cada curso apresentam caracteristicas diferentes. Assim, há a necessidade de esclarecer de onde os sujeitos fazem parte (não custa nada). A respeito dos blocos de tentativas, outro dia na aula de "Estudos avançados de Aprendizagem Motora" uma menina apresentou uma pesquisa em que as tentatvas nao eram separadas por blocos, mas o que notamos é que teria ficado mais facil a comprrensao por blocos, porque as tentativas (entre uma e outra) neste caso desta pesquisa, nao se diferiram muito. Por isso sou favoravel as blocos de tentativas até para uma melhor compreensao do comportamento durante as tenativas. Uma coisa que me despertou curiosidade, mas ja sanei com a Dra foi sobre os grupos. Ando lendo muitos artigos (para o meu TCC) e percebo que muitas (a maioria) das pesquisas usa um delineamento que tem sempre, alem dos grupos de pratica, um grupo controle (GC). Noto que no trabalho do prof. cassio não existe este GC. Perguntei para a Dra. porque tambem, em nossas pesquisas no LACOM, nao usamos este tipo de delineamento. Ela me explicou que como nossas pesquisas sao a maioria coma frequencia de feedback, nossos estudos ja tem suporte de outras pesquisas que dizem que pratica com feedback é melhor do que sem nenhum feedback (que seria o caso do GC). Então esta pode ter sido a razao por o cassio nao utilizar na pesquisa dele um GC. Pessoal acho que para o momento é só. Promote me tornar mais presente nas discussões.
Bjao e bom dia a todos

Lacom Esef Ufpel disse...

Galera!
Com relação ao “quase experimental”, concordo totalmente contigo, Luciano. Por isso é muito bom quando diferentes pessoas refletem e discutem sobre o mesmo texto... Isso faz todos enxergar com “outros olhos”. É muito ético por parte do pesquisador, mencionar essas limitações, mas não é algo comum. E quanto ao fato de o profe Cássio ser “cuidadoso e esclarecedor”, essa seriedade e competência, um pouco, acredito, que se deve a escola que o formou (Dr. Go Tani). Me corrijam se estiver errada... Mas que bom que temos uma escola como essa.
Luciano, quanto à similaridade da tarefa... Teoricamente devemos tentar simular situações reais sim. Inclusive isso nos é cobrado muito por outras ramificações da educação física. Mas eu, muito no íntimo, acredito que, quando uma tarefa possui similaridade com situações do mundo real, ela já atinge um limiar de tarefa aplicada.
Quanto à “detalhada descrição relativa sobre os receptores sensoriais”... No início da pág. 48 o Dr. Cássio discorre sobre os receptores sensoriais devido as informações proprioceptivas. Fala, maneira muito clara, sobre cada um deles. Esse tipo de esclarecimento não é comum na metodologia.
Quanto a descrição dos sujeitos... concordo quando falas que é importante mencionar o curso, até porque estudantes de Direito são muito diferentes quando comparados aos de EF, tenho experiência neste assunto. Mas isso não impede de, no mesmo estudo, utilizarmos estudantes de Direito e EF. Só temos que ter o cuidado de contrabalancear. É muito correto sim, da parte do pesquisador, mencionar o curso.
Com relação a inexperiência... Realmente, tens razão. O mesmo sujeito não pode participar de duas pesquisas onde a demanda da tarefa seja controle de força, mesmo que as tarefas sejam diferentes... Essa é apenas a minha humilde opinião.
Com relação a Blocos x tentativas... sempre que escolhemos um lado perdemos um pouco de outro. Em termos de logística, acho que uma análise tentativa a tentativa não é legal, embora saibamos que médias, muitas vezes, não traduzem o comportamento do sujeito. E a Lú tem razão, as vezes não há muita diferença tentativa a tentativa...
Lú, ainda, não precisa pedir desculpas por discordar, aliás é bom termos opiniões diferentes para conseguirmos ver com outros olhos.
Bom galera, por ora era isso...
Luciano, valeu a parceria da discussão, foi muito legal!
Abraço
Fiquem bem queridos
Angélica