terça-feira, 14 de junho de 2011

Aí está... baita artigo!

Fala galera medonha,


A pedido do nosso Ilustre amigo e prof. da USP, Dr. Luciano venho “pensar” e compartilhar com vocês minhas reflexões. Para tal, trago aqui, o artigo mais completo e complexo que já li. De autores alemães, com inglês extremamente rebuscado... mas vale a pena ler, são 4 completos experimentos. Isso me fez respeitar e admirar ainda mais a ciência Alemã, pois tranquilamente este artigo tem conteúdo e experimento para 4 bons artigos. Me senti, literalmente, nas reuniões do Lacom, regadas a chimarrão e muitas balas...

Para quem não conseguir o artigo completo, por favor, me solicite que envio. O li há um ano atrás, mas faltou tempo para comentá-lo aqui.

“Corrective Processes in Grasping After Perturbations of Object Size” de Constanze Hesse & Volker H. Franz, publicado no periódico “Journal of Motor Behavior”, 2009, vol. 41, nº 3, 253-273

Este artigo versa sobre a correção do movimento de agarrar após uma perturbação, ou seja, a adaptação a uma nova situação. Na parte introdutória do artigo, os autores falam sobre a importância da visão para a correção do movimento. Há evidências de que a visão é importante para o movimento em tela, ou seja, o movimento de agarrar, no entanto os estudos tem mostrado que a visão ou não da mão não modifica a forma dos dedos ou posição na hora de agarrar o objeto. Ainda, a visão é mais importante nos estágios finais, onde realmente ocorrem as correções. A primeira parte do movimento é mais balística. Uma questão levantada com relação a este aspecto: Como o movimento é controlado quando a mão não pode ser vista??? Uma possibilidade: movimento pré-programado, mas nestes casos – movimento pré-programado – correções não podem ser feitas.

Quanto a ajustes nos movimentos, os estudos tem mostrado que os mesmos tem se ajustado em resposta a variações bruscas. Uma trajetória pode ser alterada em qualquer tempo, e o tempo necessário para tal é o Tempo de Reação. Os sujeitos realizam o processo corretivo, mas não sabendo que houve a perturbação. Neste caso, o Feedback proprioceptivo pode desempenhar um importante papel na correção dos movimentos. Para o movimento de agarrar, o tempo para corrigir a forma é maior do que o tempo para corrigir a posição.

Há 3 maneiras que as correções podem ser realizadas:

a) O programa motor pode ser cancelado e substituído por um novo;

b) Um segundo programa motor pode ser sobreposto ao 1º;

c) O programa motor original poder ser melhorado ou corrigido;

Após estas considerações iniciais sobre o artigo, podemos expor as grandes questões de interesse na realização deste estudo:

• Quanta correção pode ser desempenhada e como a visão contribui para o ajustamento;

• Papel da visão na programação e execução do movimento e na correção;

• Como a visão contribui para o sucesso na correção, adaptação? (Controle do movimento através da visão, capítulo 4 do livro do Schmidt)

• O processo corretivo é diferente quando requer um ajustamento mais extenso???

• Há diferenças em tentativas nas quais há perturbação e nas quais não há perturbação?

Para responder a estas questões, o estudo foi dividido em 4 experimentos. Vamos a eles:

EXPERIMENTO 1

Objetivo: investigar os efeitos da variação do tamanho do objeto a ser agarrado. (1cm, variação considerada pequena), em dois diferentes momentos de tempo (antes x depois). Os sujeitos enxergavam sua mão durante a execução. Duração da sessão: 90 min.

Procedimentos: Distância entre posição inicial e polegar: 30 cm.

Perturbação: dois tipos: a) Apenas tamanho do objeto; b) Tamanho do objeto no tempo (Early x Late)

Tentativas: 144 tentativas não-perturbadas e 48 tentativas perturbadas. As perturbações foram aleatórias.

Variáveis Independentes: 1) Tempo de movimento; 2) Tempo de Reação; 3) O agarrar – MGA: máxima distância entre o dedo indicador e o dedo médio; 4) Média de abertura: MGA – polegar e indicador; 5) Pico de Velocidade (PV); 6) Amplitude da Velocidade do Pico (APV);

Resultados: MGA: fortemente correlacionado com o tamanho do objeto. Os objetos maiores foram agarrados com MGA maiores.

CONDIÇÕES DE PERTURBAÇÃO: a) Early Perturbation: melhor adaptação; b) Late Perturbation: não se adaptou tão bem quanto Early Perturbation; c) No Perturbation

Em condições de “Early Perturbation” não houve diferença significativa entre “Perturbation” e “No Perturbation”. Em condições de “Late Perturbation” houve diferença significativa.

Perturbações mais no início do movimento, neste caso, “Early Perturbation” são melhores para o sucesso do movimento, porém, o tempo de correção do movimento é bem menor quando a perturbação é inserida mais no final do movimento. Neste caso, o tempo de correção para “late perturbation” foi bem menor do que para “early perturbation”. Esse descobrimento sugere que correções podem ser incorporadas mais rapidamente na fase final do movimento.

Para as tentativas onde houve a perturbação, o tempo de execução foi, em média, 200 ms mais lento.

DOUBLE PEAK: A existência de dois picos é indício de uma re-elaboração do Programa Motor. Não houve efeito significativo. Alguns sujeitos apresentaram picos duplos em ambos os tipos de perturbação e alguns nunca apresentaram picos duplos.

LEARNING: Para avaliar a aprendizagem do movimento, foram comparadas as 30 primeiras tentativas e as 30 últimas. Não houve diferença significativa...

Discussão: No experimento 1 foi estudada a adaptabilidade do movimento de “agarrar”. A formação do “agarrar” foi fortemente influenciada/afetada pela perturbação, mas o transporte do componente não foi afetado. Em menores correções, elas se dão de maneira diferente quando comparadas à outros tipos de correções. Houve a ocorrência de duplo pico independente da ocorrência da perturbação. Tempo de correção, quando a perturbação ocorre na parte final do movimento.

EXPERIMENTO 2

Objetivo: Idem objetivo do experimento 1, porém aqui, os sujeitos não podiam visualizar o movimento da sua mão.

Método: Participaram deste experimento 20 sujeitos. As condições de e perturbações foram as mesmas do experimento 1.

Resultados: MGA: fortemente correlacionado com o tamanho do objeto. Os objetos maiores foram agarrados com MGA maiores. O MGA foi bem adaptado após uma perturbação precoce.

CONDIÇÕES DE PERTURBAÇÃO: Quanto ao tipo de perturbação os efeitos foram significativos. Em “Late Perturbation” o sujeito mantém a forma do agarrar do 1º objeto, após a perturbação, ou seja, ele não modifica a forma do agarrar. Em “Early Perturbation” o tempo para correção foi maior que em “Late Perturbation”.

No experimento 1 a correção ocorreu de maneira mais rápida do que no experimento 2. Não podemos esquecer que no experimento 2 os sujeitos não enxergavam a execução do movimento.

DOUBLE-PEAK PATTERN: Não houve efeito significativo.

TRANSPORT COMPONENT: A visão não influenciou no transporte do componente pois não houve diferença significativa entre o experimento 1 e o experimento 2.

LEARNING: Comparação entre “30 primeiras” tentativas e “30 últimas tentativas” sem perturbação. O número de duplos picos aumentou e o tempo de movimento diminui. O primeiro explica-se pelo aumento da complexidade da tarefa, já o segundo pela familiarização com a mesma. Eu, particularmente, diria que o tempo diminuiu em função do processo de aprendizagem.

Discussão: A questão em tela neste experimento foi, qual a extensão do processo de correção, ajustando/adaptando o agarrar, depois de uma perturbação, sem a visão da mão e do movimento por parte dos sujeitos.

Segundo pesquisadores, as correções às perturbações ocorrem de maneiras parecidas com ou sem a visão das mãos neste tipo de movimento. Este descobrimento sugere que as correções são executadas em um “open-loop”, usando continuamente o mecanismo de “feedforward” do controle motor. Antes que vocês se perguntem, assim como eu me perguntei, se esse mecanismo é semelhante ao mecanismo de Feedback, eis a resposta: O mecanismo Feedforward permite uma comparação entre o que está acontecendo e os estados futuros planejados. Os erros são corrigidos mais rapidamente do que com o mecanismo de Feedback que precisa comparar a informação visual com o desejado.

Como em outros estudos, neste foi encontrado um MGA maior, sem a visão da mão quando comparado com o movimento executado com a visão da mão.

Como o ajuste no movimento, sem a visão e com a visão foram muito parecidos, esse descobrimento sugere que o ajuste no movimento de agarrar não depende da informação visual do movimento da mão. Os movimentos são planejados com uma maior margem de segurança. Os resultados indicam que pequenos ajustes são planejados/realizados da mesma forma que o ajuste inicial, ou seja, através do mecanismo de “feedforward”.

Questão que permanece não clara: As correções às pequenas perturbações ocorrem de maneira diferente que as correções às grandes perturbações???

Grandes perturbações – Re-planejamento?????

Pequenas perturbações – adaptações durante o curso do movimento???

EXPERIMENTO 3

Objetivo: verificar se o processo de correção do agarrar é diferente quando maiores correções são requeridas, ou seja, o objetivo foi buscar uma resposta para a questão acima. As perturbações foram relacionadas a mudanças no tamanho do objeto. Onde houve menores/pequenas e maiores/grandes mudanças.

Metodologia: Sujeitos: 20 estudantes universitários

Procedimentos: 192 tentativas: 75% das tentativas houve perturbação, 25% não houve perturbação.

A perturbação ocorreu SEMPRE no início do movimento, da tentativa (early perturbation). Os participantes podiam ver o movimento da mão durante a execução do movimento.

Resultados: MGA: Houve problema na verificação do MGA, causado pela variação no tamanho do objeto. O objeto foi alcançado antes de o MGA ser determinado. Este descobrimento sugere que o agarrar pode não ser perfeitamente adaptado para o novo tamanho do objeto. O movimento para um objeto maior é iniciado com uma maior aceleração, necessitando mais tempo para desacelerar e corrigir o movimento.

Correções foram realizadas em todas as vezes em que houve perturbação. Em todas as tentativas perturbadas o MGA foi significativamente diferente das tentativas não perturbadas.

MÉDIA DE TEMPO DE CORREÇÃO: Foi encontrado um principal efeito no tamanho da perturbação: maiores perturbações foram corrigidas mais rapidamente.

LEARNING: O tempo de movimento diminuiu com a prática.

Discussão: O objetivo deste experimento foi testar se o processo de correção é diferente quando é requerido um ajustamento maior. As variações foram introduzidas no início do movimento. Os resultados mostraram que o MGA não pode ser perfeitamente adaptado à um novo objeto quando as perturbações são maiores. A consumação de maiores correções requerem mais tempo. Largas perturbações levar para uma mudança no tipo de “agarrar” mais do que um ajustamento do agarrar planejado.

Neste estudo, quando o objeto tornou-se bem maior as correções iniciaram-se antes, confirmando a hipótese de que, quando as correções são extremamente necessárias, o ajustamento se dá mais rapidamente.

EXPERIMENTO 4

Objetivo: Verificar a ocorrência de duplos picos em tentativas do “agarrar” onde não houve perturbação.

Sujeitos: 10 sujeitos

Procedimentos: Duração do experimento: 60 min. Os sujeitos puderam visualizar o movimento de sua mão. 6 tamanhos de objeto foram apresentados de maneira randômica, porém, sem perturbações.

Resultados: MGA: Maior tamanho de objeto foi agarrado com um maior MGA.

DOUBLE-PEAK PATTERN: Houve uma media no percentual de duplos picos ao longo dos tamanhos e tentativas. Houve uma leve tendência de mais duplos picos nas tentativas com o tamanho do objeto maior e tamanho do objeto menor. Duplos picos mais freqüentes quando a tarefa exige maior demanda.

Discussão: O experimento 4 foi conduzido para corroborar a suposição de que duplos picos representam processos corretivos que também aparecem quando não há perturbação. Duplos picos apareceram também em tentativas onde não houve perturbação. ESSE DESCOBRIMENTO PROVÊ MAIORES EVIDÊNCIAS DE QUE O MOVIMENTO É REGULADO CONTINUAMENTE E NÃO PLANEJADO PREVIAMENTE (TEORIA DO PROGRAMA MOTOR). Gente, vocês tem noção do que isso significa? O que vocês acham disto?????

DISCUSSÃO GERAL

Neste estudo foi estudada a adaptabilidade do agarrar em variações do tamanho do objeto. Os autores tiveram um interesse especial na característica do processo corretivo executado pelo sistema motor depois de uma perturbação. No campo do controle motor tem sido persistente o debate se o movimento é: a) continuamente regulado com base em informação aferente, e se sim, qual a natureza desta informação aferente; b) completamente planejado previamente; ou c) Uma combinação de pré-planejado e processo de controle corrente.

Os autores direcionaram o desfecho introduzindo perturbações de tamanho de objeto em dois diferentes momentos (early e late) e variando quanto a visão ou não do movimento, por parte dos sujeitos. Perturbações “early” foram perfeitamente adaptadas. Perturbações “late” não foram perfeitamente adaptadas.

MINHA PERGUNTA: Se a perturbação “late” não foi perfeitamente adaptada, será que é tão evidente assim a CORREÇÃO durante o processo?

“De qualquer maneira, o presente estudo atenua a credibilidade de um PURO pré-planejamento do movimento como proposto por Plamondon (1995 “a” e “b”). Na verdade, modificações corretivas executadas, sugerem que o movimento é permanentemente monitorado e pode ser ajustado, se necessário.”

Avançado modelo de controle motor: “entrada sensória – saída motora”. Se qualquer discrepância é detectada, um comando corretivo é gerado para ajustar o movimento. Isso indica que estes movimentos SÃO PROGRAMADOS com maior margem de segurança, considerando um aumento de incerteza.

“Paradigma da perturbação no tamanho”

Perturbação no início do movimento com longos tempos de correção. Perturbação no final do movimento com tempos mais curtos de correção.

Mecanismo Feedforward: retro-alimentação avançada

Os resultados suportam a idéia que, em resposta para uma perturbação no tamanho do objeto, o Programa Motor é modificado centralmente em uma maneira “open-loop”. Assim, a informação visual não é tão necessária para o sucesso do movimento.

Utilizando o Feedforward os movimentos podem ser corrigidos mais rapidamente do que utilizando o Feedback basic.

2ª fase do movimento: tempo de correção mais curto...

Era isso... boas reflexões.
Grande beijo a todos

Angélica

5 comentários:

Nuri disse...

uauuuu.... como diria meus amigos... vc esmerou-se!!! parabéns... confeso que nunca li esse artigo, vou ler seu excelente resumo e depois o artigo... eu gosto muito da ideia de programação e pré-programação do movimento...

uma questão: vc teria uma foto do go com vcs? pode me enviar... lucianob@usp.br
obrigado

Luciano

Lacom Esef Ufpel disse...

Muito obrigada, ainda mais vindo do Ilustre amigo! Pois é, também gosto... mas olhas lá, no final do resumo, coloquei grifado... Já entramos na questão da dicotomia Teoria da Ação x Teoria Motora, questão esta que me inquieta desde os tempos de graduação e persiste em me inquietar...
Temos foto com o Go sim... lhe enviarei...

Abraço
Angélica

Minha fábrica de sonhos... disse...

Informo a todos
que encontrei aqui em Santa Rosa oriunda de Pelotas, uma baita amiga, parceira, atleta e tudo de bom: ANGÉLICA.

Essa guria é o meu orgulho!!!

Angélica, você é minha segunda irmã de alma, sabia?

Um forte abraço amiga, sou uma menina de sorte por ter te conhecido e por ter cativado teu coração, guria.

Bjkas light e diet.
Nara.

Minha fábrica de sonhos... disse...

Vou sentir muita falta da minha amiga Angélica, quando ela for para seu doutorado na USP, mas sou a maior incentivadora desse foguete denominado Angélica. Para ela, o céu é o limite!!!!

É isso aí amiga, vambora!!!!!!!!

Lacom Esef Ufpel disse...

Ai Dona Nara, só a Sra. mesmo para me emocionar a esta hora da madrugada: 01:38!
A Sra. significou/significa muito mais que uma baita amiga, parceira, etc. Muita coisa mudou, acordou o que havia adormecido, a partir daquele "choque de gentileza" da Sra... Enfim, existem coisas que a gente não consegue explicar...
A Sra. me faz lembrar uma música que adoro do Nando Reis que diz assim: "...Estranho, mas já me sinto um velho amigo seu..."
Cada vez mais estou convicta que sou uma pessoa de sorte, olham só esses meus baita presentes!!!
Dona Nara, a Sra. não vai sentir falta, sabe porquê? Porque, no máximo, de 60 em 60 dias, as Sras estarão lá, as Índias Taura do Rio Grande e a Índia Velha! Promessa da "Vó"!E, mesmo que promessa de político não tenha tanto crédito assim, essa vai ter que ser cumprida!
Ah, não sou foguete nada... Como diz uma música: "Nasci do inferno e me criei no mato" hahaha

Beijão enorme
Angélica