Galera, vamos a mais uma discussão. Estaremos discutindo, aqui no blog, uma parte da tese do Prof. Dr. Cássio. A princípio a discussão circunda entre as págs. 01 até a metade da pág. 13. Conforme vamos caminhando, a discussão vai avançando. Quem não tiver a tese do Cássio e quiser participar da discussão, me solicita, tenho o arquivo em PDF.
Beijos e bons estudos.
Angélica
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5 comentários:
Bom dia pessoal. Vou poster então o meu comentario. Aí vai...
Título:C onhecimento de resultado no processo adaptativo de aprendizagem motora(Cássio de Miranda Meira Junior;Tese de Doutorado, 2005)
Inicialmente a leitura da tese foi muito empolgante para mim, principalmente pelo tema (processo adaptativo) um dos quais eu me interesso bastante. Aprendi coisas novas que me fizeram pensar, pensar e pensar e ter muitas ideias. Percebi que as coisas não são tão simples e por isso tenho que seguir sempre estudando.
Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi que eles construíram um equipamento para fazer a coleta de dados, visto que não existia uma tarefa que manipulasse a força e a distância. Acho que quando fui ao LACOM da USP o aparelho estava no centro da sala. Tu não lembra Gé?
Outra coisa interessante, a Suzete foi banca . Então qualquer dúvida que surgir temos alguém muito próximo para nos ajudar.Mas vamos ao que interessa que é a discussão das primeiras páginas (1 ate 13) da tese do Drº Cássio.
O autor começa o texto da introdução abordando uma situação de jogo do voleibol e com isso pode conceituar e nos fazer imaginar com uma situação prática a importância do feedback, no caso o Conhecimento de resultado (CR) e da pratica para a aquisição de habilidades motoras, ou também aprendizagem motora (aqui é com letra maiúscula porque não é a área de estudo mas sim o ato de aprender). Esta forma de escrita, acredito ser bastante didática e boa, principalmente para empolgar o leitor a continuar a ler tantas paginas.
Quanto ao conteúdo, o autor estabelece que a prática e o feedback, observados de maneira concomitante, são indispensáveis para se adquirir aprendizagem, porque uma complementa a outra. Através da prática você pode chegar ao objetivo estabelecido, no caso aprender o movimento, e através do feedback você pode saber se o caminho que está seguindo é o mais adequado, mesmo que no inicio das tentativas os erros sejam os mais grosseiros.Porém a medida que se vai praticando, um plano de ação é formado e o individuo já consegue sem a ajuda de feedback extrínseco (tipo de feedback fornecido por uma fonte externa) corrigir os erros e efetuar da maneira mais adequada o movimento somente utilizando o feedback intrínseco (respostas internas do próprio individuo).
Quanto ao feedback extrínseco uma das grandes preocupações dos profissionais envolvidos com situação de ensino-aprendizagem é como manipular este, isto é, como estabelecer a freqüência, precisão, conteúdo, localização temporal desta resposta. Quanto a esta questão o autor coloca que existe duas vertentes para tentar ajudar a solucionar este problema, a clássica que diz que quanto mais freqüente e preciso for o feedback melhor para a aprendizagem e a atual que coloca que quanto menos freqüente e preciso mais eficaz será a aprendizagem. Ambas defesas vêm o aprendiz no modelo de processamento de informações em que as estruturas cognitivas participam desta etapa de aprendizagem.
A seguir o autor coloca que nas teorias clássicas a aprendizagem motora era vista como um processo finito num modelo de equilíbrio, que acabava com a estabilização das estruturas cognitivas, adquirida esta pelo feedback negativo, o qual busca a ordem. No entanto, atualmente a Aprendizagem Motora apresenta uma nova visão, a visão do processo adaptativo, em que a aprendizagem é vista como um processo dinâmico, caracterizado pela instabilidde-estabilidde-instabilidade em que a incerteza e a desordem são características necessárias para aprender tarefas mais complexas e aperfeiçoar aquelas já existentes no plano de ação.
E é a partir desta nova visão que esta tese se orienta e busca estudar o CR enfatizando as variáveis freqüência e precisão, uma vez que estas permitem manipular o nível de incerteza que o sistema experimenta no processo de aquisição de habilidades motoras.
Após estabelecer os objetivos do trabalho o autor começa um novo tópico abordando sobre o panorama epistemológico geral da área do Comportamento Motor, o qual eu achei muito parecido com o capítulo dois do livro do GO. Vocês não acharam???
Prosseguindo neste tópico, ele conta que a Aprendizagem Motora é um campo de estudo relativamente antigo e que hoje é reconhecido, muito porque esta presente no currículo dos cursos de Educação Física e esporte de grande parte do mundo.
Em seguida ele aborda que o campo de estudo central da AM,estudos sobre a aquisição de habilidades motoras, sofreu ao longo de mais ou menos 30 anos algumas fases de ideias polarizadas que ate hoje persistem.
Começando pelos defensores de um lado da teoria do circuito aberto e os defensores da teoria do circuito fechado. Atualmente sabe-se que essa dicotomização já não existe mais devido à teoria do sistema motor ter proposto que as duas se completam e que a tarefa manipulada é que estabelece se o controle é mais centralista ou mais periferista (acho que não preciso conceituar os dois né?).
Outro debate mais adiante foi à controvérsia entre a abordagem motora e a abordagem da ação. Sendo que hoje ainda presenciamos a existência das duas, muito porque principalmente os estudiosos da AM buscam pesquisar baseados na teoria motora e os estudiosos do CM e do DM buscam se basear mais na abordagem da ação. Autores acreditam que uma reconciliação entre ambas vai ser muito difícil, muito pelas questões filosóficas que as permeiam. Isso só será possível se a teoria da ação abrir mão de defender que não existe uma representação central do movimento (Programa motor Generalizado).
Concomitante a estes acontecimentos, na década de 80, depois de a AM ter passado por um período de estagnação nos seus estudos, devido ao foco de pesquisas estar mais centrada no Controle Motor, ela retorna com pesquisas em que o enfoque não se dava mais no resultado que a tarefa proporcionava, mas sim no processo que esta estabelecia até chegar a um produto.
Dessa forma, visto que hoje o campo do Comportamento Motor atravessa uma fase de integração de ideias, porque muitas teorias vêm sendo defendidas, este trabalho também baseou-se na integração de várias teorias que compõem o paradigma sistêmico, que integra, por exemplo a teoria geral dos sistemas, teoria hierárquica, teoria da complexidade, da auto-organização, do caos, entre outra. As quais são baseadas que o ser humano é um sistema aberto, que organiza suas estruturas hierarquicamente, de forma a se atingir níveis sempre mais complexos e que se complementem.
Explicando melhor, o paradigma sistêmica é aquele que vê o ser humano como um organismo vivo e aberto o qual troca energia com o ambiente em que vive e apresenta tanto entropia negativa (busca a ordem) como positiva (caracterizada pela desordem). E essa troca com o meio ambiente é que faz com que novos comportamentos irreversíveis possam aparecer. Como o caso da aquisição de habilidade mais complexas daquelas que já se sabia e se apresentava estabilizada no sistema de representação central.
Estes estados que um sistema aberto apresenta de níveis superiores de complexidade pode ser adquirido, por exemplo, através da introdução de uma perturbação. Neste caso quando a perturbação é adicionada o corpo vai reagir e responder a ela, algumas formas de maneira a tornar o sistema mais complexo e outras devido a perturbação ser tão forte, o sistema não vai conseguir responder e o estado anterior permanecerá o mesmo.
É justamente isso que o processo adaptativo busca encontrar nas pesquisas. Ou seja, na fase de estabilização se supõe que o individuo aprenda o movimento e posteriormente na fase de adaptação quando uma perturbação é adicionada, o sistema responda de forma a fazer com que o individuo se adapte a nova situação a partir das estruturas que já formou centralmente.
Bom pessoal, não falei de tudo que tinha no texto mas dei a minha contribuição daquilo que venho estudando e fortificando no meu sistema central de informação. Mas como o ser humano é um sistema aberto estou sempre disposta a receber informações para tornar os meus conhecimentos cada vez mais complexos e complementares. Essa troca de informação que estabelecemos no blog é um processo que faz com que novas ideias surjam complementando nossos sabres (que vocês sabem, nunca vão acabar, já que o processo de aprendizagem é infinito e muito dinâmico).
Blz Luzinha, excelente comentário, como sempre. Em breve vai o meu...
Só para adiantar um pouco e inquietá-los: Será que é possível ler uma tese ou uma dissertação de alguém e não ver, ali, a cara do orientador? Eu,particularmente, acho que não.
Beijos
Gé
Galera, eis o meu comentário... Mas antes precisamos agradecer a Lú pelo seu comentário complementador, e eu, preciso pedir-lhes desculpas pelo atraso do meu comentário. Sem mais delongas, vamos a ele.
Pelo fato de já termos um rico comentário (o da Lú), vou me limitar a comentar o que ainda não foi comentado. Minha primeira observação reside em um termo utilizado no resumo: “tracking”. Não tenho conhecimento se é corriqueiro ou não esse uso de termos em outras línguas dentro do texto, embora o autor tenha esclarecido com um “ou seja”. Achei que este termo, dentro do texto não era indispensável.
Quanto ao texto, achei interessante esse início, a forma de relacionar com a prática. Porém achei o texto um pouco diferente de tantos outros textos que li deste autor. Achei esse muito mais leve que todos os outros. Achei bem mais Dr. Go, embora a parte inicial da introdução da dissertação do Carlos (orientando do Cássio) seja muito parecida, inclusive a apresentação da dissertação seguiu a mesma linha. Mas devo ressaltar que, a Introdução do projeto para qualificação do Carlos foi bem diferente da Introdução da própria dissertação. Falei tudo isso para chegar a um ponto: É quase impossível ler a dissertação de alguém e não ver ali, a “lata” do orientador.
Já na Introdução, pág. 2, temos a seguinte frase: “O feedback extrínseco é frequentemente denominado de CR...” Aqui, me remexi na cadeira. Desde que me conheço por gente, sempre falei, baseada em alguns autores, que CR é uma espécie de Feedback extrínseco.
Inicialmente, com a leitura do texto, revisitamos o histórico dos embates das teorias da área. Sem muitas novidades para nós. O autor finaliza a introdução de uma maneira bastante pontual. Coloca os pontos que serão abordados em alíneas. Acho que gostei disso, embora não seja a minha característica de escrita. Essa forma evita rodeios.
“Considerações Epistemológicas”: Adorei esse subtítulo, pois há quem diga que nós, galera da aprendizagem motora, não consegue fazer essas viagens epistemológicas. Nesta parte tivemos mais um termo em inglês que também julgo como dispensável: pág 5, “establishment”.
Muitos aspectos trazidos pelo texto, não se configuram novidades para nós. Mas existem alguns aspectos e informações que se apresentaram como interessantes. Um deles diz respeito ao fato de que a teoria da ação tem um alcance maior em controle e desenvolvimento motor. Depois disso, sem dúvida, o que me prendeu ao texto foi o novo paradigma, as metas teorias da ciência. Agrada-me muito leituras sobre o tema. Nos possibilita uma viagem. Ainda, o autor descreve conceitos de uma maneira cuidadosa e esclarecedora. Lú, inclusive tem referências pra ti aqui.
Um trecho do texto me possibilitou fazer uma nítida relação com o nosso grupo e com outros grupos também: “É preciso que os componentes do sistema executem suas funções da melhor maneira possível (auto-afirmação), simultaneamente à busca de harmonia no relacionamento entre si (integração).”
Seguindo no texto, outro aspecto que me chamou a atenção foi de existirem dois fatores que levam a um aumento de complexidade. Um deles é o processo de Feedback Positivo e Negativo e ou outro é a Perturbação.
Bom galera, acho que é isso, estou gostando e estou disposta a continuar essa “viagem”.
Beijos
Fiquem bem
Angelica
Gé obrigada pelo complemento e discussão. As referencias vao ser muito válidas. Só não compreendi porque tu acredita ser estranho o autor colocar palavras em ingles. Não será porque uma tradução em portugues é quase inexistente para algumas palavras especificas utilizadas no texto??
Bjs
Achei estranho pois elas não são indispensáveis para compreensão do texto. Como praticamente só leio artigos em inglês, não sei se isso é uma prática comum na área ou não. Pelo que eu sei, não é indicado.
Beijos
Gé
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