quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Aproveitando a deixa...

Só para complementar a discussão do artigo do Go, trago à vocês um belo artigo escrito por Jairo Jorge sobre o episódio que já mencionei. este artigo foi publicado no Jornal Correio do Povo, mas roubei do blog da colega de juventude e quase jornalista Marluci Stein.

CONFLITO OU DIÁLOGO?
JAIRO JORGE

O Rio Grande do Sul sempre viveu embates políticos polarizados, mas desde 1994 há um recrudescimento do confronto. No lugar de chimangos e maragatos, surgem petistas e antipetistas. Vivemos sob o paradigma do conflito, uma lógica que se sustenta na destruição do adversário, no preconceito e na ausência absoluta de alteridade.
O governo e a oposição se nutrem do ódio, da disputa sem medida, ficando ao largo os interesses da sociedade, que assiste perplexa a esse processo destrutivo. Este não é um privilégio nosso, democracias maduras vivem também esse dilema.
Nos EUA, o embate entre democratas e republicanos é exemplo disso. Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, que está sendo empossado hoje, foi eleito porque rompeu essa dualidade. Obama disse de forma clara que 'o que nos une é mais forte do que o que nos separa' e que 'a política é atualmente um negócio e não uma missão'.
Precisamos superar o conflito e construir o paradigma do diálogo. Na disputa pela hegemonia na sociedade, os partidos precisam apresentar propostas e ideias e devem aglutinar as forças políticas em torno de um projeto. Entendo que o PT precisa romper o isolamento e construir novas pontes com a sociedade civil gaúcha e com os partidos de centro, centro-esquerda e esquerda. Para isso, é preciso diálogo e pacificação.
O convite ao economista Cezar Busatto para ser secretário da Prefeitura de Canoas buscava essa amplitude e o desejo de construir um caminho novo. No entanto, assistimos a uma verdadeira comoção. Os erros do passado não podem nos guiar no futuro, eles apenas turvam nossa mente. O presidente John Kennedy disse certa vez que 'não estamos aqui para amaldiçoar a escuridão, mas para acender a luz que possa nos guiar pelo breu rumo a um futuro são e salvo'.
Se o PT quer deixar de ser o partido do quase, que sempre disputa, mas não vence, e quer construir uma alternativa democrática e inovadora para o povo gaúcho, precisamos buscar quebrar o modelo do conflito e construir a alternativa do diálogo. O presidente Lula, vitorioso nas duas disputas presidenciais, é expressão desse novo paradigma, e seu governo de coalizão é a síntese desse novo caminho.
É preciso humildade e generosidade para reconhecer os erros e construir uma nova alternativa política. Como petista há 27 anos, acredito que meu partido e nossa militância têm essa capacidade. Vamos despir nossos corações e mentes do ódio e do preconceito e vamos nos mover pela audácia da esperança.

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