Galera, me desculpem pela quebra no texto sobre o artigo “Abordagem desenvolvimentista: 20 anos depois” Go Tani
Vamos seguir na discussão, tentando minimizar os prejuízos causados por esta quebra. Não esqueçam que o texto anterior também faz parte da discussão.
Quanto ao conteúdo do artigo, da minha parte não há muito a discutir, pois sou adepta da AD, concordo em todos os seus aspectos e ainda, tenho uma postura político-ideológica que favorece essa concordância. Mas não posso deixar de mencionar alguns aspectos que me chamaram a atenção, que se salientaram durante esta agradável e inquietante leitura. Para mim, Angélica, este artigo traz muito mais que uma discussão científica. Este artigo vem explicitar, mesmo, talvez, sem querer, a postura de quem realmente (me desculpem pelo termo, mas não consigo achar outro que seja sinônimo) é FODA. Explicita que Fulano não é Fulano por mera obra do acaso.
A hermenêutica nos diz que, para realmente entendermos e interpretarmos um texto temos que conhecer o seu autor, ou seja, saber de onde ele vem, de onde ele está falando, qual foi a escola que o formou. Assim, me parece que, muitas críticas são oriundas de pessoas que não refletiram sobre a origem da área de investigação de seus autores, ou seja, comportamento motor, que não pode ser negado ser o objeto do nosso trabalho, do dia-a-dia do professor que não tem o privilégio de ocupar um espaço em uma Universidade e sim ocupa um espaço no pátio de uma escola. Além disso, foi de extrema importância o autor ter colocado a diferenciação entre Abordagem e Diretrizes.
O subtítulo 3.1 “AD: da hegemonia e pluralidade”, de maneira muito especial me deixou extremamente feliz, sorrindo pra mim mesma. A maior transformação na minha maneira de pensar e agir e a maior aprendizagem nos últimos tempos foi essa “abertura para novas idéias e propostas” que o autor fala neste subtítulo, onde também ressalta a valorização da pluralidade, de uma postura visionária. Hoje tenho extrema convicção que a pluralidade de idéias é possível na prática sim, quando as pessoas estão desprovidas de interesses menores. Tenho procurado pessoas que sei que pensam e agem de maneira diferente, vocês não imaginam o quanto aprendemos com isso.
Combater ideias simplesmente porque estão “no outro lado”, não é agradável e faz parte do passado. Passado este que não deveria ter existido. Não podemos mais admitir a ideia do “anti” e do “a favor”.
No início da página 10 o autor fala o seguinte: “Ela (abordagem histórico-crítica) vê a pesquisa com intrinsecamente política e, portanto, inevitavelmente ligada à questão de poder...” Amigos, neste momento lhes pergunto: Será que a pesquisa resistiria se ela estivesse inevitavelmente ligada à questão de poder, se ela fosse intrinsecamente política? Vocês se lembram do Gabriel, de 24 anos, e da Natalie de Jaguarão que vivem há um ano na Base Brasileira na Antártica que citei aqui no blog há alguns dias atrás, inclusive como exemplo para nós? Será que eles ficariam um ano pesquisando e estudando lá, levando em consideração as dificuldades que é viver lá (segundo as informações passadas pela parlamentar Manuela que esteve lá), por simples questões de poder? Amigos, eu tenho certeza que não. Falei para um grupo de alunos, escrevi em dois blogs e agora falarei pra vocês: Na minha opinião, ser pesquisador é se apaixonar a cada dia pela sua atividade, pelo seu objeto de estudo.
Uma pergunta que me faço: Será que, se esse livro fosse lançado nos dias de hoje, sofreria as mesmas críticas? Fazendo uma analogia com o recente episódio Jairo Jorge/Busatto X PT, acho que sim.
Bom acho que já falei demais, agora quero ouvir a opinião de vocês, tanto as favoráveis quanto as não tão favoráveis assim (para não dizer contra).
Quero fechar o meu comentário, e não poderia ser diferente, com uma célebre passagem do artigo: “Olhando para o futuro, entendo que seria construtivo se as diferentes abordagens da EFE – as já propostas e as serem propostas – reconhecessem a importância da pluralidade, incorporassem o princípio da complementaridade e, sobretudo, adotassem uma postura de HUMILDADE.” Pág. 13.
Espero ter contribuído
Forte abraço a todos
Angélica
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